Prioridade deve se manter postos de trabalho

O presidente do Pelouro Laboral da Confederação das Associações Económicas (CTA), Paulino Cossa, recordou que o país ainda enfrenta a pandemia da covid-19, terrorismo em Cabo Delgado, entre outros problemas com destaque para o aumento do preço de combustíveis e produtos alimentares, o que faz com que os indicadores económicos disponíveis não sejam favoráveis.

“Estamos, como quem diz, no início da retoma da economia. As empresas estão a priorizar a manutenção dos postos de trabalho. O grande problema que podíamos ter neste momento seria, por exemplo, começarmos a ter muitos despedimentos”. Para a CTA, o bem-estar do trabalhador é factor principal necessário para que as empresas sobrevivam, mas é preciso levar em conta o princípio de “checks and balances”, uma vez que é preciso aumentar, mas também saber onde buscar o contrapeso para fazer face a esse aumento, o que passa por saber se o mercado está ofuscado, a matéria-prima cara, se a inflação está alta, entre outros factores.

Cossa refere que quando a inflação está alta não pode ser vista apenas na perspectiva de aquisição da cesta básica para o trabalhador. Também é preciso avaliá-la tendo em conta a necessidade de aquisição de matéria-prima para as empresas, o custo do transporte, entre outros problemas que as empresas nacionais estão a enfrentar.
Tomou como exemplo o sector de hotelaria e turismo que se encontra numa situação má. E salientou que, neste momento, o sector dos transportes também está a entrar no buraco por causa da alta dos preços dos combustíveis.
“A base para se chegar aos aumentos que vimos são os indicadores sectoriais e concluiu-se que a maior parte teve tendência negativa, depois existe o factor negocial que inclui a cesta básica, entre outros”, refere, acrescentando: “o que estamos a trazer é o reajuste dos salários mínimos, entretanto as empresas muitas delas pagam acima do mínimo e encorajamos que continuem assim”. Quantidade custava 730”. Conta que se antes gastava cinco mil para o rancho de casa, agora gasta dez para comprar os mesmos produtos ou menos.
Por isso, viu-se obrigada a cortar algumas despesas para fazer face à situação. “Por causa do trabalho, pagava carrinha escolar para levar o meu filho, mas agora preferimos sair mais cedo para deixá-lo na escola. Só usa aquele meio no regresso porque não temos alternativa”.

Para Arnaldo Mutemba, os moçambicanos estão a viver momentos difíceis, pois não há nenhum equilíbrio entre o actual custo de vida e os salários praticados no país. Recordou que ainda existem pessoas que recebem abaixo do salário mínimo, como é o caso dos empregados domésticos. “Temos filhos que estudam, alguns andam de transporte semi-colectivo. Ainda temos de cuidar de alimentação, roupas e outras despesas. Do meu rancho, reduzi alguns produtos para conseguir me manter. Além disso, agora tenho de sair mais cedo para caminhar até a paragem para evitar ligações”, aponta.
Arnaldo sublinhou que tem quatro filhos e que mesmo ele e a esposa trabalhando, depois de fazer todas as despesas de casa, praticamente não sobra nada.
“Não me parece que esta seja uma situação passageira. Temos de inventar formas de complementar o salário para que chegue para sobrevivermos por 30 dias”.
Enquanto isso, Leonel Mulocha contou que não tem sido fácil viver em Moçambique, pois a cada dia que passa as coisas estão caras e a maior parte da população não aufere salário suficiente para arcar com as despesas do dia-a-dia. “Tivemos de reduzir algumas despesas básicas para conseguirmos aguentar, mas vai chegar uma fase em que vai ficar insustentável porque já baixámos a nossa qualidade de vida até o extremo”.