TEMPESTADE ANA: Ainda há danos por contabilizar

A TEMPESTADE tropical Ana matou pelo menos 18 pessoas e fez 99 feridos na sua passagem pelas zonas centro e norte do país, afectando mais de 45 mil pessoas, segundo um balanço preliminar divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres (INGD). O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, trabalhou em Nampula, no quadro da monitoria das acções em curso para dar resposta e assistência humanitária aos afectados, tendo orientado para a necessidade de construção de infra-estruturas cada vez mais resilientes a eventos climáticos.

O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que ainda ontem terminou a visita de dois dias às zonas afectadas na província de Nampula, alertou sobre a importância de se aprimorar ideias que possam conduzir à adaptação às mudanças climáticas, pois o país continuará vulnerável a eventos extremos.

“Só de 2019 a 2020 ocorreram cinco ou seis ciclones, a sua frequência e intensidade levam-nos a dizer que devemos fazer as coisas de uma maneira muito mais estruturante, o trabalho de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Isso significa que teremos de construir infra-estruturas de forma muito mais resiliente. Não podemos fazer a mesma coisa todos os dias”, salientou.
O governante insistiu que a aposta deve ser dada à resi-liência, pois em todos os anos ocorrerão ciclones e outros desastres, por isso devem procurar-se recursos para se conviver com estes fenómenos com muita ênfase na prevenção e adaptação.
Entretanto, Paulo Tomás, porta-voz do INGD, indicou que “tivemos o registo de 18 mortos, sendo oito na Zambézia, quatro em Tete, três em Nampula e três em Manica. As causas dos óbitos variam, tendo sido umas por desabamento de parede (11 pessoas), afogamento (3), arrastamento pelas águas (1), queda de postes de energia (1) e as causas dos restantes dois casos ainda por confirmar.
Foram afectados, no global, 45.395 pessoas, sendo 25.259 na província de Nampula, 9956 na Zambézia, 3500 em Tete, 3350 em Manica, 2935 em Sofala e 395 no Niassa.
As autoridades ao mais alto nível estão a monitorar a evolução da situação ao mesmo tempo que prestam assistência humanitária imediata aos afectados. Para o efeito, foram abertos oito centros de acomodação (6 na Zambézia e 2 em Tete) que acolhem 4751 pessoas.
Estão a ser levadas a cabo acções de busca e salvamento em várias zonas sitiadas com recurso a barcos e drones pré-posicionados naquelas áreas.
No que se refere aos principais danos, o INGD aponta que foram destruídas 7315 casas parcialmente e 2756 totalmente e 391 ficaram inundadas. Doze unidades sanitárias foram danificadas e 137 escolas (346 salas de aula) sofreram com o impacto da tempestade, o que coloca 27.383 alunos em risco de não iniciarem ano lectivo a 31 de Janeiro próximo.A tempestade cortou várias estradas e algumas pontes, tornando as intransitáveis, nas regiões centro e norte. Pelo menos 132 postos de transporte de energia eléctrica não escaparam das intempéries que fustigaram aquelas zonas. Cerca de 2550 hectares de áreas de cultivo foram perdidos.
Entretanto, para as próximas 72 horas prevê-se uma subida do nível hidrométrico nas bacias hidrográficas dos rios Búzi e Púnguè devido ao pico de caudal registado nas estações a montante. As bacias dos rios Licungo e Maputo poderão registar níveis oscilatórios com tendência a baixar, segundo o boletim diário da Direcção Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos (DNGRH).