Região em alerta devido à febre aftosa

AS autoridades veterinárias dos países da África Austral estão em alerta, face à notificação crescente de episódios de febre aftosa, já confirmados no Malawi, Zâmbia, África do Sul e Moçambique.

Com efeito, peritos em pecuária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) reuniram-se semana finda, em Joanesburgo, na África do Sul, para analisar a situação e traçar estratégias com vista a conter a propagação da doença.

O encontro serviu para apresentar o plano de acção para o controlo da febre aftosa e actualização sobre a capacidade de diagnóstico e vacinação.

No país, os episódios foram confirmados nos distritos de Marávia e Chifunde, em Tete, junto à linha de fronteira com o Malawi e Zâmbia.

Dado o cenário, a Direcção Nacional de Desenvolvimento Pecuário (DNDP) decidiu interditar o movimento de bovinos, caprinos, suínos e ovinos de toda a província de Tete destinados à criação e abate.

A DNDP, tutelada pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, determinou ainda a suspensão do trânsito de forragens destinadas à alimentação de gado provenientes dos distritos de Chifunde, Marávia e Macanga e a concentração de animais para quaisquer fins sem a permissão da autoridade veterinária. A circulação de animais no resto do país somente é permitida, caso tenham sido inspeccionados, bem como observados os procedimentos para o trânsito interno dos mesmos e/ ou seus produtos, como o porte de credencial/autorização e certificado de registo do meio de transporte emitidos pela DNDP.

Destas restrições, exceptua-se o movimento de animais destinados ao abate provenientes de explorações vedadas dos distritos afectados, após a inspecção pela autoridade veterinária da integridade das cercas e dos animais.

Já na vizinha África do Sul, a doença foi confirmada nas províncias de Free State, Kwazulu-Natal, Limpopo, Northwest e Gauteng, o que levou as autoridades moçambicanas a vedarem a importação de carnes e derivados destas regiões.

Refira-se que, Moçambique não notificava caso da febre aftosa desde Setembro de 2020 como resultado dos avanços na vacinação de gado das zonas de alto risco de ocorrência da doença e implementação de restrições no movimento de animais.

A febre aftosa é classificada como uma das doenças transfronteiriças mais importantes no mundo devido à sua rápida transmissão e propagação, com impactos económicos muito negativos devido a medidas que impedem o acesso ao mercado.