“MUNDIAL” DE BOXE Alcinda na final Rady fica com bronze

A PUGILISTA moçambicana Alcinda Panguana apurou-se na tarde de ontem para a final do Campeonato Mundial de Boxe que decorre em Istambul, na Turquia, garantindo a medalha de prata, enquanto Rady Gramane falhou o acesso ao combate decisivo, devendo regressar à casa com o “bronze”, após derrota nas meias-finais.

Com a proeza, Alcinda, que disputa a final hoje, garante, por outro lado, um prémio monetário de 50 mil dólares, enquanto Rady Gramane ficou pelos 25 mil. Alcinda Panguana derrotou Valentina Khalzova, do Cazaquistão, num combate bastante intenso, com as duas pugilistas a fazerem pela vida. A moçambicana perdeu o primeiro assalto por 4-1, nota atribuída pelos juízes. Nesse assalto, Alcinda mostrou-se bastante nervosa e com alguma crise de ideias perante investidas ofensivas da cazaque, atleta bem avantajada em termos de compleição física.

Mas, no segundo assalto, a moçambicana entrou com a lição bem estudada e não facilitou. Foi para cima da adversária e conseguiu colocar Valentina Khalzova em sentido. Desferiu-lhe valentes golpes, terminando o “round” com vantagem parcial de 5-0. O terceiro assalto foi também francamente dominado pela moçambicana, que num dos golpes levou a adversária ao tapete.

Esse foi o momento capital do combate, pois dissipou quaisquer dúvidas aos juízes, que lhe atribuíram uma vitória incontestável por 4-0. Os parciais globais da luta foram 29-27, 28-27, 28-27, 28-28 e 28-27. Na final, Alcinda irá defrontar a pugilista da Irlanda Lisa Edel O”Rourke, que derrotou a turca Sema Caliskan nas “meias”.

As façanhas de Alcinda em Istambul confirmam a sua ascensão no plano internacional, depois de ter falhado medalhas nos Jogos Olímpicos-2020, onde teve boas prestações, e no Torneio Internacional de Budapeste, na Hungria. Actualmente, Alcinda Panguana é cinco vezes campeã regional da Zona IV, sendo que o último título foi conquistado mês passado, em Maputo.

No ano passado, juntamente com Rady Gramane, conquistou ouro no “Africano” da Zona III, que teve lugar em Kinshasa, na República Democrática do Congo (RDCongo). Rady Gramane, por sua vez, perdeu com a canadiana Tammara Thibeault, mas deixou todo o seu potencial no ringue. Perdeu e sai de cabeça erguida. Deu o máximo de si, numa competição em que venceu três difíceis combates. Rady é atleta olímpica, detentora de cinco títulos da Zona IV e medalha de prata nos Jogos Africanos de 2019 e do Torneio Internacional de Budapeste, que teve lugar em Fevereiro.

O “Mundial” de Boxe Feminino decorre desde 8 deste mês e termina amanhã. A prova reúne 310 pugilistas, em representação de 73 países. A dupla moçambicana é acompanhada pelo seleccionador nacional, Lucas Sinóia.