Hospitais funcionaram a meio gás

Hospitais funcionaram a meio gás
Jornal Noticias

A PRESTAÇÃO de cuidados de saúde esteve condicionada ontem um pouco por todo o país devido à greve convocada pelos profissionais do sector que reivindicam a melhoria das condições de trabalho e salariais.

A manifestação orientada pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos de Moçambique (APSUM) resulta da alegada falta de consensos no diálogo entre os enfermeiros, técnicos de laboratório, motoristas, auxiliares com Governo para o ajuste salarial, disponibilização de material de trabalho e resolução de outras queixas.

No Centro de Saúde de Mavalane, na capital do país, os serviços estiveram paralisados e os pacientes orientados ao Banco de Socorros do Hospital Geral. Já no Hospital Geral de Mavalane, a farmácia ficou encerrada nas primeiras horas e, posteriormente, gerida por médicos que, com dificuldades na identificação e localização dos medicamentos, procuravam satisfazer à demanda.

 Na maternidade e no laboratório a aceitação foi abandonada, o que preocupou muitos pacientes em situação de urgência. “Não sei o que está a acontecer nem onde os agentes de serviço estão, apelo-vos a continuarem a aguardar, que todos serão atendidos”, disse um ginecologista interpelado por pacientes no banco de espera da maternidade.

No Centro de Saúde José Macaco, os utentes foram encaminhados aos Serviços de Urgências para serem atendidos pelos médicos, porque também carecia de outros profissionais, enquanto no Alto Ma é, a greve fez-se sentir à tarde.

O Hospital Provincial da Matola estava às moscas à chegada do “Notícias” porque alguns doentes foram transferidos para outras unidades sanitárias, havendo os que desistiram e voltaram às suas casas.

 “A nossa preocupação é que estão paralisados os serviços de laboratório e radiologia. Conseguimos trazer uma especialista mas os técnicos desligaram as máquinas e os telemóveis, pelo que não conseguimos entrar em contacto com eles”, disse Judith Muscula, secretária de Estado na província de Maputo, na visita efetuada ao hospital. Explicou que o hospital contratou uma empresa para o fornecimento de refeições aos cerca de 300 pacientes internados e apelou ao retorno às actividades dos profissionais em manifestação.

 Entretanto, no Hospital Central de Maputo (HCM) todos os subsectores funcionavam dentro da normalidade. Alguns agentes em serviço revelaram que havia enchentes, fruto das referências vindas das outras unidades.

“Somos o maior hospital do país, não podemos nos manifestar”, disse uma servente. Se por um lado a Associação dos Profissionais de Saúde refere-se à falta de resposta dos pedidos submetidos ao Governo, por outro, o Ministro da Saúde, Armindo Tiago, aguarda a retoma do diálogo iniciado há algum tempo, com vista a encontrar solução dos problemas que afligem a classe.

 “Nós mandamos uma solicitação por correio eletrónico, mas até este momento ainda não temos resposta. Aguardamos, a qualquer momento, a associação para o diálogo, porque só assim é que vamos ter solução”, disse.

Uma parte das unidades sanitárias de pelo menos quatro distritos da província de Tete, nomeadamente Mutarara, Tete, Moatize e Chora Bassa, funcionaram de forma condicionada pelo facto de alguns enfermeiros terem aderido à greve. O “Notícias” soube da existência de casos inclusive em que os profissionais se fizeram aos seus postos de trabalho apenas para assinar o livro de presenças e não para atender os doentes.

A maior parte das 11 unidades sanitárias da cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, esteve quase deserta se comparado às habituais enchentes, apesar de ter sido notória a presença de alguns técnicos de saúde e estagiários. Armindo Chicava, diretor distrital de Saúde em Pemba, justificou que a ausência dos pacientes e algum pessoal de saúde não estava relacionada à greve, mas a outras questões sociais.

 Em Gaza, as principais unidades sanitárias de Gaza estiveram ontem a funcionar a meio gás por conta da ausência de grande parte dos profissionais de saúde que responderam à greve. Pelo menos às primeiras horas de ontem as principais unidades sanitárias da cidade de XaiXai, distrito Limpopo, Mandlakazi, Mapai e uma parte do Chibuto não contavam com a presença de enfermeiros, agentes de serviço e outros técnicos.

Fonte: Jornal Noticias