Chefe do Estado vai ao parlamento

O Presidente da República, Filipe Nyusi, subirá ao pódio da Assembleia da República, na quinta-feira, 16 de Dezembro, para fazer um diagnóstico do Estado da Nação através do Informe Anual, no cumprimento de uma formalidade constitucional.
O informe do Chefe do Estado vai acontecer numa altura em que Moçambique enfrenta vários desafios que afectam o bem-estar da população.
Entre tais desafios se pode destacar o combate ao terrorismo e à auto-proclamada Junta Militar da Renamo, cujos ataques provocamdo deslocamento da população de um lugar para o outro, deixando, desta feita, de se dedicar às suas actividades de subsistência.De igual modo, à semelhança do que acontece pelo mundo fora,país pode estar na iminência de uma quarta vaga da Covid-19, o que exige um redobrar de esforços na observância das medidas de prevenção da doença.

Na antevisão, domingo conversou com deputados da Frelimo, Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), os quais entendem que o discurso do Presidente da República não andará longe dos desafios anteriormente apresentados. O deputado da Frelimo Caifadine Manasse disse esperar que, à semelhança dos anos passados, Informe Anual do Estado Geral da Nação retrate as vivências do país e que destaque a força e resiliência do povo moçambicano às mais variadas adversidades. “Tenho a certeza de que o Presidente da República será realista. Que fará uma radiografia retratando os assuntos candentes da vida dos moçambique, tem sido sempre assim. Não será diferente desta vez. Falará da província de Cabo Delgado e do terrorismo, das forças da SADC e do Ruanda que apoiam o nosso país, falará da agricultura como factor dinamizador da nossa economia”, disse.
Acresceu que o informe poderá igualmente versar sobre as áreas estratégicas como Educação, Saúde e o meio ambiente e a sua preservação.

Apesar de admitir que a corrupção continua sendo um problema que enferma o país, Manasse congratula o Presidente por estar a liderar um combate cerrado a este mal, daí a existência de muitos processos judiciais com vista a trazer a paz dentro das instituições.
Para Manasse outro assunto que, certamente, pela sua importância estará em voga no informe do Chefe do Estado é processo do DDR. “Este processo já está quase no fim e temos de lembrar sempre que foi Filipe Nyusi quem lutou e conseguiu dar-lhe início”, para quem é fundamental que o terrorismo seja estancado.
Por seu turno, José Manteigas, deputado da Renamo, disse quer ver refletidas no informe do Chefe do Estado as actualidades do povo moçambicano.
Para Manteigas, mais do que fazer uma radiografia, o Presidente deve “trazer resultados e medidas concretas. Na questão dos raptos, por exemplo, é preciso que diga por que é que está difícil eliminar esse assunto quando temos gente, supostamente, competente para fazer face ao mesmo. A população quer acções e respostas a estes problemas”.
As soluções da falta de emprego aos jovens é um outro tema que Manteigas espera ouvir na quinta-feira. “Há muita juventude que está a clamar por emprego. Além da falta de trabalho, há também problemas no sector da saúde facto que pode igualmente se observar na educação”, sublinhou.

Enquanto isso, Elias Impuiri, deputado do MDM, afirmou esperar que o Presidente da República venha confirmar que o Estado da Nação não é bom, tendo em conta que há população em debandada na província de Cabo Delgado e os raptos persistem no país.
“Embora se diga que há um sossego com a acção conjunta das FDS (de Moçambique) e das tropas estrangeiras, nos últimos tempos temos estado a ouvir que os terroristas estão já a aterrorizar outras pessoas em Niassa, por exemplo. Isto é preocupante”.
Impuiri acresceu que espera ainda que o Chefe do Estado explique a razão da entrada das tropas estrangeiras da SADC e do Ruanda sem que a Assembleia da República tivesse aprovado.
“Também gostávamos de ouvir do Presidente projectos e informações que visem retirar a população da penúria em que se encontra. Para além de falar de como, concretamente, se vai transformar a agricultura num factor dinamizador da economia moçambicana”.
O entrevistado acredita que o actual orçamento não se vislumbra ideal para transformar a agricultura num factor dinamizador da economia moçambicana.
Além dos representantes do povo, a sessão da Informação Anual do Estado Geral da Nação poderá contar com a presença dos membros do Governo, do Corpo Diplomático acreditado no país, entre outras personalidades.