CENTRO DE REFUGIADOS DE MARATANE: Governo e parceiros procuram fundos para reconstruir 241 casas

O GOVERNO e parceiros estão a intensificar esforços na mobilização de fundos para a reconstrução das 241 casas que ficaram total ou parcialmente destruídas devido à passagem do ciclone Gombe no Centro de Refugiados de Maratane, distrito de Nampula. Para além de casas, a intempérie também destruiu o centro de saúde local e as machambas. No entanto, o centro de saúde já foi reconstruído, faltando a reconstrução de casa e sementes para o relançamento da época agrícola em reposição das culturas devastadas. A administradora interina do centro, Anabela Mariza Varela, disse que neste momento decorrem negociações com os principais parceiros de cooperação para a disponibilização dos fundos. Vivem no Centro de Refugiados de Maratane 9.143 refugiados. O convívio com os moçambicanos é descrito pela administradora do centro como sendo salutar, caracterizado até por partilha de negócios e machambas. A principal fonte de sobrevivência é a agro-pecuária, nomeadamente a produção de hortícolas e criação ou revenda de frangos. A administração do centro está a preparar um projecto de criação de caprinos, com ambição de ser o maior criador deste tipo de espécie de animais na província de Nampula. Falando à imprensa, alguns refugiados manifestaram satisfação e gratidão pelo acolhimento oferecido pelo governo moçambicano. Entretanto, pediram mais apoio em oportunidades conducentes a uma vida sustentável a longo prazo. Jorge Matagulo e Mariza Magonzi, ambos de nacionalidade burundesa, residentes no centro há nove anos, frisaram que não tem sido fácil sobreviver apenas de pequenos negócios. O centro acolhe refugiados oriundos da República do Congo, Burundi, Ruanda, Somália, Uganda, Sudão, Angola, Eritreia e Etiópia. Para além do Governo, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Programa Mundial de Alimentação (PMA) e a KULIMA são os principais parceiros de apoio e implementação dos projectos do centro.