Alocados mais recursos para abastecimento de água

O GOVERNO reforçou, nos últimos anos, o volume de investimentos na construção e reabilitação de infra-estruturas de abastecimento de água, com impacto no aumento da cobertura e disponibilidade deste recurso no país.
Nos últimos dez anos, o abastecimento de água chegou a mais de seis milhões de pessoas, resultante do investimento de cerca de dois mil milhões de dólares (127,7 mil milhões de meticais) na construção de sistemas, alguns dos quais com a participação do sector privado.
Dados do sector de Águas indicam que existem cerca de cinco mil sistemas de fornecimento de água e 24 mil fontes dispersas que abastecem a mais de 19 milhões de pessoas, tanto nas zonas rurais como urbanas.

Apesar dos avanços na provisão de água, o sector debate-se com o desafio da sustentabilidade dos serviços, facto que exige a adopção de medidas concretas de aprimoramento da gestão e operação dos sistemas. Quadros da Direcção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento (DNAAS) estiveram reunidos, semana passada, para reflectir sobre a sustentabilidade dos serviços de fornecimento de água nas zonas rurais e vilas, e avaliar a capacidade do sector público-privado e comunitário na gestão dos sistemas.
O inspector-geral das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Daniel Baloi, destacou, entre outros desafios, a fraca viabilidade financeira dos sistemas e os elevados custos operacionais.
“Apesar das melhorias que o Governo introduziu no abastecimento de água quer no que concerne ao aprimoramento da gestão, na atracção de investimentos, no alargamento dos níveis de cobertura quer na melhoria relativa dos serviços, há ainda desafios de sustentabilidade por ultrapassar”, realçou.
Por seu turno, a directora-geral da DNAAS, Rute Nhamucho, referiu que ainda há muito trabalho a ser feito em termos de construção, acção que deve ser acompanhada pela garantia da sustentabilidade, manutenção e operação.

“A questão da sustentabilidade está também, associada à capacidade e vontade de pagar pelos beneficiários.
É por isso que, quando nós vamos intervir num determinado sistema de abastecimento de água, temos que, no mínimo, fazer um estudo básico para saber se vai durar”, disse.