ALBUFEIRA DE CAHORA BASSA Pescadores denunciam contrabando da kapenta

PESCADORES que se dedicam à captura dos peixes kapenta e tilápia, produtos de elevado valor comercial, na albufeira da Cahora Bassa, em Tete, queixam-se do contrabando do pescado.
Este facto, aliado ao esforço excessivo de pesca e a empregabilidade de artes nocivas à actividade, ameaça colapsar a pescaria da kapenta, uma das espécies que ocorrem na albufeira da Cahora Bassa e bastante procurada no país e no estrangeiro.

Segundo soubemos, devido à tanta procura do pescado há movimentos regulares de cidadãos estrangeiros, como zimbabweanos, malawianos, zambianos e congoleses, na região da albufeira, que procuram pela kapenta.
Navegando sobre o rio Zambeze, que alimenta Cahora Bassa, os contrabandistas do pescado fazem-se em pequenas embarcações movidas a remo, geralmente na calada da noite, muitos dos quais oriundos do Malawi e Zâmbia, até alcançarem a albufeira, via distrito de Zumbu, para lograrem os seus intentos.

“O contrabando do pescado, principalmente a kapenta, é uma realidade e está a prejudicar a economia local, mas não temos capacidades para estancar este movimento, uma vez que os contrabandistas actuam na calada da noite, com embarcações a remo”, disse o administrador do distrito de Zumbu, Lucas Muidingui.

Ainda sobre o contrabando do pescado, Piedade Malizane, chefe do Departamento de Pescas em Tete, confirmou o facto, tendo acrescentado que o acto não abrange apenas a kapenta, como também a tilápia seca, vulgarmente conhecida por ‘chicôa’, que é bastante procurada pelos comerciantes das repúblicas do Zimbabwe, Zâmbia, Congo e Malawi.

“A circulação da kapenta e tilápia por vias ilegais e prejudiciais à economia da província, em particular, e do país, no geral, deve-se à não abrangência da fiscalização, motivada por falta de pessoal e meios nos pontos onde esse tipo de produto tem sido movimentado, nomeadamente nos distritos de Zumbu e Marávia, que dão acesso às repúblicas do Zimbabwe e Zâmbia”, reconheceu aquela responsável.

Refira-se que de Janeiro a Outubro do ano passado a província de Tete exportou para as repúblicas da África do Sul, Zimbabwe, Malawi, Zâmbia e Congo Democrático cerca de 124 mil toneladas de kapenta, que renderam 256.933.4 mil dólares norte-americanos.

“O peixe kapenta é um dos produtos estratégicos de exportação, depois da energia eléctrica da HCB, tabaco da MLT e carvão mineral”, revelou o director da Indústria e Comércio em Tete, Ofélio Jeremias.
Mais detalhes sobre esta matéria na edição de hoje do Suplemento de Economia.