Preocupante demora na emissão do BI

UTENTES da Direcção Nacional de Identificação Civil (DNIC) reclamam devido à morosidade no atendimento, no balcão dos “Bombeiros”, na Avenida Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo, mesmo com o funcionamento do sistema de pré-marcação para a emissão do Bilhete de Identidade (BI) há três meses. A introdução do agendamento tinha por objectivo flexibilizar o atendimento, evitando aglomerados, uma das causas do contágio pela Covid-19. Aliás, o balcão já foi encerrado por várias vezes para desinfecção, após alguns funcionários testarem positivo para a doença.

Em contacto com o “Notícias”, Lucas Buque, um dos utentes, revelou que fez o agendamento através do endereço electrónico disponibilizado pela DNIC.
“Segundo a mensagem que recebi, seria atendido terça-feira, às 9.00 horas. Cheguei 15 minutos antes, conforme a orientação, mas já são 9.40 horas e não fui atendido”, contou.
Bento Langa, também utente, disse que fez a pré-marcação e chegou muito antes da hora marcada, entretanto foi surpreendido pela fila enorme.

Afirmou ainda que a situação compromete o cumprimento de outras agendas, pois acreditava que o processo seria rápido.
O “Notícias” apurou que nem todos que se fazem ao posto dos “Bombeiros” sabem do sistema de pré-marcação no atendimento, o que concorre para aglomerados.
Outros há que se envolvem em esquemas de corrupção para furar a fila, segundo contou uma utente em anonimato.
Disse que pagou 400 meticais a um funcionário para ser atendida com urgência, pois do contrário levaria dias à espera de tratar o BI. O chefe da secretaria da DNIC, a nível da cidade, Justino Diogo, indicou como causas a oscilação da corrente eléctrica ou falha do sistema.

“Há ainda casos de documentos que são emitidos com falhas, daí que quando o utente vem levantá-lo, é orientado a voltar a emitir o BI, ocupando a hora de atendimento de outras pessoas”, apontou.
Indicou que actualmente a DNIC regista o pico de pedidos de emissão, atendendo por dia pelo menos 350 pessoas.
Reconheceu que há indivíduos que se fazem passar por funcionários da DNIC e cobram valores aos utentes para facilitar processo de emissão do documento.

“A Polícia tem controlado a situação, pelo que alguns facilitadores já foram recolhidos às celas”, referiu. Apelou aos munícipes a tratar o BI dois meses antes da sua caducidade, de preferência nos postos próximos às suas residências, ao invés de se fazerem ao balcão dos “Bombeiros” como tem acontecido.
Apontou que para além do sistema de agendamento, a instituição disponibiliza materiais de desinfecção das mãos para funcionários e utentes de modo a evitar contágios.