PR NO LANÇAMENTO DA COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA: Aumento da produção continua um desafio

O INCREMENTO dos níveis de produção e produtividade continuam a ser dos principais desafios que a economia moçambicana enfrenta para o equilíbrio da balança comercial, especialmente do sector agrário.

Falando no lançamento, ontem, da Campanha de Comercialização Agrícola, cerimónia que teve lugar no distrito de Marracuene, província de Maputo, o Presidente da República, Filipe Nyusi, recordou que, historicamente, Moçambique regista um saldo negativo na balança comercial com impacto directo no valor do metical face às principais moedas de transacção, condicionandoas políticas económicas do país.

Recorrendo a estatísticas recentes, Nyusi apontou que no sector agrário, em 2020, Moçambique exportou produtos agrícolas no valor 624.6 milhões de dólares e importou o equivalente a cerca de 900.5 milhões, o que corresponde a um défice na ordem de 394 milhões de dólares norte-americanos.

Entre os produtos que contribuíram negativamente estão a cebola e a batata-reno. Filipe Nyusi aponta, igualmente, que se em 2020 o país importou cebola no valor de cerca de 15 milhões de dólares, em 2021 as importações aumentaram para cerca de 19 milhões, o correspondente a uma variação de quatro milhões de dólares.

Em termos de batata-reno,em 2020 o país importou cerca de 18 milhões de dólares e no ano passado 21 milhões, representando um aumento de cerca de três milhões de dólares.

Todos estes indicadores, segundo o Presidente da República, mostram a necessidade de se intensificar o cultivo desses dois produtos, não só por ser um negócio com mercado seguro, mas também por ser um exercício que vai ajudar a equilibrar a balança comercial.

“A província de Maputo tem todas as condições para produzir a batata-reno, Niassa e Tete idem”, apontou Nyusi, que também reconheceu que a província Tete já está a vender em grandes quantidades.

O Presidente disse ainda sentir-se encorajado pelo facto de no primeiro trimestre de 2022 as exportações agrícolas terem registado um incremento na ordem de 80 milhões de dólares norte-americanos, correspondendo a um incremento de cerca de 88 por cento influenciado, principalmente, pelo aumento de leguminosas e amêndoas.

Não obstante este registo positivo no primeiro trimestre, segundo Nyusi, prevê-se maior pressão na balança comercial devido à subida do preço de importação dos principais produtos e da logística internacional.

Nyusi explicou que, com o lançamento da campanha agrícola ontem em todo o país, pretende-se operacionalizar os mecanismos de acesso ao financiamento da actividade comercial neste sector.

Apelou às instituições a envidarem esforços para garantir a promoção de investimentos, estabelecimento de parcerias para a exploração de oportunidades de negócios na cadeia de valor da comercialização agrí cola, bem como na organização dos produtores com vista a facilitar a sua intervenção activa e benéfica na cadeia de comercialização.

Refira-se que, no global, o país deverá comercializar este ano pouco mais de 17 milhões de toneladas de produtos agrícolas. Desta quantidade, 21 por cento são cereais, 45 por cento raízes e tubérculos, 13 por cento hortícolas, 11 por cento são leguminosas, quatro por cento oleaginosas e 20 por cento outras culturas.