OMS alerta para novas ameaças epidémicas em África

OMS alerta para novas ameaças epidémicas em África
Jornal Noticias

A ORGANIZAÇÃO Mundial da Saúde (OMS) alertou, há dias, para o risco de novas ameaças epidémicas em África como os surtos de cólera e do vírus Marburg, que assolam alguns países do continente. Segundo o coordenador de alerta e resposta de emergência da OMS, Abdi Mahamud, “é um problema sério, com maior expansão devido a fatores como alterações climáticas e conflitos” em determinadas regiões, apontando os exemplos de recentes surtos de cólera no Malawi e em Moçambique, entre outros países.

Em relação ao vírus de Marburg, com taxas de mortalidade elevadas, Mahamud lembrou que, no atual surto na Guiné Equatorial, foram confirmados 14 casos até agora, com 23 suspeitos, enquanto mais de 500 contactos estão a ser monitorados para evitar uma possível expansão do agente patogénico.

Falando em conferência de imprensa semana finda, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, lembrou que nesses 75 anos de existência da organização, a varíola uma das doenças que mais matou na história foi erradicada, enquanto “a poliomielite está prestes a seguir esse mesmo caminho”.

O consumo de tabaco e as mortes de mulheres no parto foram reduzidos em um terço, a mortalidade infantil para metade e, “nos últimos cinco anos, foram desenvolvidas novas vacinas contra malária e ébola”, sublinhou, recordando ainda o recente papel da OMS como coordenadora da luta contra a Covid19.

“A OMS não pode assumir todo crédito por essas conquistas, mas temos desempenhado um papel fundamental em todas elas”, salientou o diretor-geral da OMS, ao alertar que, apesar dos progressos na saúde global, ainda há um longo caminho a percorrer nesta matéria. Nesse sentido, salientou que mais de metade da população mundial não tem acesso a determinados serviços básicos de saúde, e que o número de pessoas com dificuldades em pagar cuidados médicos aumentou um terço, para cerca de dois mil milhões.

“As taxas de diabetes e obesidade aumentaram drasticamente, devido a dietas pouco saudáveis e à inatividade física”, enquanto os progressos na luta contra a malária e a tuberculose abrandaram e o problema da resistência antimicrobiana (vírus e bactérias que deixam de responder a antibióticos) está a aumentar, alertou ainda Ghebreyesus.