Tete e a luta contrao abuso sexual

A PROVÍNCIA de Tete registou ano passado 4170 casos de violência baseada no género, mais 299 comparativamente a 2020. Do total, 2795 foram ocorrências contra a mulher.

Este comportamento tem-se manifestado nos 15 distritos da província, porém os municípios das cidades de Tete e Moatize lideram o “ranking”, com mais de 600 casos cada, seguidos pelos distritos de Macanga, Tsangano, Mágoè, com mais de 300.

Chama atenção a explosão de ocorrências em Macanga, que evoluiu de 26 casos em 2020 para 311 no ano seguinte, sendo 293 de violência física, cinco psicológica e 12 actos de abuso sexual.

Apesar de haver mais casos de agressão física, as autoridades sanitárias de Tete começam a estar preocupadas com a tendência evidente nos últimos tempos de aumento da ocorrência de abusos sexuais.

Por exemplo, ano passado foram registados 333 episódios de violência sexual, contra 320 em igual período de 2020.

A ponto focal de resposta à violência baseada no género no Serviço Provincial de Saúde de Tete, Paula Coimbra, revelou que, no período em análise, mais da metade das vítimas de abuso sexual foi tarde às unidades sanitárias, prejudicando o início de assistência contra infecções de transmissão sexual como o HIV/Sida e gravidezes precoces/indesejadas.

“Para prevenir a infecção pelo HIV, a vítima deve iniciar a profilaxia pós-exposição nos primeiros três dias após sofrer a violência sexual. No caso de gravidez indesejada, deve iniciar nos primeiros cinco dias depois do abuso. Quando chegam depois desse período, já tarde, submetemo-las ao tratamento para evitar outras consequências da violação, mas aquelas duas oportunidades ficam comprometidas”, lamentou Paula Coimbra.

Para reverter a situação, disse estar em curso a divulgação, nas comunidades e nas lideranças locais, dos benefícios de levar cedo as vítimas de abusos sexuais à unidade sanitária.