MAIS DA METADE DAS INFECÇÕES POR MALÁRIA DURANTE A GRAVIDEZ SÃO INDETECTÁVEIS ​​POR MICROSCOPIA

MAIS DA METADE DAS INFECÇÕES POR MALÁRIA DURANTE A GRAVIDEZ SÃO INDETECTÁVEIS ​​POR MICROSCOPIA
CISM

De acordo com um estudo recentemente publicado na revista científica The Lancet Global Health, mais da metade das infecções por malária durante a gravidez não são detectáveis ​​por microscopia e sim, apenas por testes moleculares e, de acordo com o pesquisador CISM e do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) Alfredo Mayor, um dos autores do artigo, os dados ora publicados revelam a importância do uso da vigilância molecular para detectar infecções com baixa densidade de parasitas da malária.

Segundo dados do artigo, a infecção por malária durante a gravidez representa um sério risco para a saúde da mãe e do bebé. No entanto, muitas infecções em mulheres grávidas passam despercebidas porque causam poucos sintomas e são “submicroscópicas” (ou seja, não são detectadas pelo teste de microscopia usual devido ao baixo número de parasitas no sangue, mas por testes moleculares mais sensíveis, como PCR).

Essas infecções “silenciosas” representam um desafio, não apenas para o manejo e prevenção da malária em mulheres grávidas, mas também para os esforços de eliminação da malária.

O estudo, resultou de uma análise de 68 estudos conduzidos entre 1995 e 2017 em 27 países (54 em África, 8 na Ásia e 7 nas Américas), incluindo Moçambique, cujo propósito era entender melhor a frequência dessas infecções a nível global, bem como os factores de risco associados, através de uma revisão sistemática e meta-análise desses estudos. Os resultados, ilustram que em média, 13% das gestantes apresentaram infecção submicroscópica e 8% microscópica.

Ainda de acordo com o estudo, do total de infecções detectadas por métodos moleculares, a maioria foi submicroscópica (59%) durante a gravidez e até 74% no parto.

A maior percentagem de infecções submicroscópicas foi observada em áreas com menor transmissão da doença e “as razões são complexas, mas provavelmente têm a ver com o tipo de parasita (P. vivax ou P. falciparum), a diversidade genética do parasita e a persistência da imunidade em áreas onde a carga da doença diminuiu rapidamente”, comenta Alfredo Mayor.

Para Mayor, “o uso da vigilância molecular para detectar infecções com baixa densidade de parasitas da malária permite que as mulheres grávidas tenham acesso ao tratamento adequado e oportuno e, em última instância, contribui para reduzir a transmissão de parasita, uma oportunidade para eliminar a doença”.

Fonte: CISM