O PAPEL dos médicos tradicionais no combate a diversas doenças como VIH, Covid19, cólera e poliomielite, está cada vez mais reconhecido no sector da Saúde, que os tem envolvido em campanhas de sensibilização das comunidades.
Por forma a valorizar e reconhecer o seu contributo, em 1992 foi criada a Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO), com apoio do Ministério da Saúde (MISAU).
Desde a sua criação, os praticantes da medicina tradicional têm contribuído na transmissão de valores morais e boas práticas no seio das comunidades e prevenção de diversas doenças, pois possuem conhecimento de grande valor para prestação de serviços ao sector da Saúde.
Como parte desta colaboração, recentemente a AMETRAMO foi chamada a contribuir na mobilização das comunidades no combate à cólera e à adesão à vacinação contra a poliomielite (pólio).Moisés Nhamtumbo, antropólogo no Departamento de Medicina Tradicional e Alternativa do MISAU, explicou que os médicos tradicionais possuem grande influência na comunidade, razão pela qual são considerados ativistas para questões de saúde.
Acrescentou que o contributo dos praticantes da medicina tradicional é importante para melhor vigilância de doenças. “Este grupo tem capacidade de influenciar a mudança de comportamento na sociedade para a promoção da saúde e prevenção de enfermidades, por isso temos apostado neles como nossos parceiros”, disse.
“No contexto da emergência da cólera, eles são uma peça-chave. Sem os médicos tradicionais, a atuação do MISAU seria limitada, pois o seu envolvimento é de extrema importância”, afirmou.
O médico tradicional é uma pessoa reconhecida pela comunidade na qual vive, como alguém competente para prestar cuidados de saúde usando plantas, animais e diversos artigos, baseando-se em conhecimentos religiosos, sociais ou culturais. Já levei meu cliente ao hospital Cientistas inovam na reciclagem de baterias Sobre síndrome de Patau “Algumas doenças têm origem espiritual” SAMUEL Site, médico tradicional há 35 anos, disse que já recebeu na sua palhota de consulta um paciente com sintomas de tuberculose, tendo o levado ao Centro de Saúde de Navela, no município da Matola. Acrescentou que foi bem recebido e o seu cliente teve os cuidados necessários, algo que não acontece em outras unidades sanitárias onde o seu trabalho ainda é desvalorizado.
De acordo com Site, é preciso ainda mais ações para melhorar a parceria entre o MISAU e os médicos tradicionais, com vista a eliminar a discriminação por parte de alguns enfermeiros.
“Apesar do reconhecido papel por nós jogado na comunidade, infelizmente na unidade sanitária alguns enfermeiros não dão a devida atenção no atendimento. Somos discriminados, mesmo mediante a apresentação da guia de transferência da AMETRAMO”, disse. Segundo o praticante, alguns dos clientes que procuram os seus serviços têm sintomas de doenças que podem ser tratadas nos hospitais, mas preferem recorrer à medicina tradicional.
Contou que os pacientes ficam surpreendidos quando são orientados para o hospital, mas depois de uma explicação, alguns entendem que os praticantes da medicina tradicional trabalham em coordenação com o sector da Saúde, pois há doenças que só os médicos têm a capacidade técnica adequada para curar.
“Eu digo ao cliente que vou fazer a minha parte e os médicos a deles, porque os dois tipos de medicina complementam-se. Por exemplo, nós não doamos sangue, não temos soros ou máquinas para detetar certas doenças e isso só é possível na medicina convencional”, sublinhou.
O médico tradicional explicou que alguns pacientes receiam, mas acabam por aceitar na confiança de que os “espíritos maus” saíram com os procedimentos por nós feitos. Sitóe disse ser importante que os pacientes em estado grave sejam encaminhados à unidade sanitária para evitar o agravamento da doença. Por causa do nível de formação ou crença em mitos, procuram o médico tradicional logo que surge algum problema de saúde convictos de estarem a ser alvos de feitiçaria.
“Nós temos que saber associar os dois tratamentos. Se o paciente chega e eu mando logo ao hospital, ele não vai aceitar, pois está convencido que podemos o ajudar. Por isso o nosso papel é dar os primeiros cuidados e, posteriormente recomendá-lo a prosseguir com o tratamento na unidade sanitária”, indicou.
Pelo facto de a actividades envolver o uso de instrumentos como lâminas e facas que podem transportar vírus, Salvador assegurou que toma algumas medidas de prevenção para evitar a infeção tais como manter a palhota limpa, arejada, descartar objetos cortantes, entre outros. Já Assa Teju, médica tradicional há 15 anos, enalteceu a parceria entre o sector da Saúde e AMETRAMO, pois considera que todos têm o mesmo objetivo de salvar vidas.
Fonte: Jornal Noticias


































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